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Gabriel Kogan

Arquitetura // São Paulo // Brasil

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30. Miami, eita cidade sem graça. Miami a pé. Miami a trabalho. Miami, sem lojas. Miami por causa da arquitetura, por causa de Frei Otto (?). Miami por causa do Prêmio Priztker. Miami por causa da Folha. "Hey! What's your name?". Estávamos lá para os mesmos propósitos. Nos conhecemos na cerimônia. Talvez as únicas pessoas com menos de 50 anos no hall. Além de nossa amizade (e já não precisaria nada mais) e nossas longas conversas o que restou da viagem? Uma matéria de duas páginas. A lembrança de um jantar de caranguejos gigantes. Um hambúrguer com cerveja. Uma visita a um novo edifício de Herzog & De Meuron, 1111 Lincoln Road (2005-2010). De um programa estúpido (um estacionamento), os arquitetos suíços tiraram leite de pedra. Um sanduíche instável de lajes, como em um edifício inacabado, recheado por atividades que transcendem vagas de carro. Ah. Sim. Percorremos Miami a pé. Postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years at 1111 Lincoln Road

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29. Intervir em um patrimônio histórico muita vezes significa destruí-lo. A arquitetura contemporânea parece não lidar bem, em seus detalhes, em sua materialidade, em sua força, com a história. Viajara a Veneza à trabalho, cobrindo a Bienal de Arquitetura para um jornal brasileiro. Corredores e corredores atulhados de projetos, de formas e aleatoriedades. Uma cacofonia de arquitetura. Veneza é encantadora e desesperadora. Por vezes, Veneza não parece lidar bem com a história. Os corredores do Arsenale e os Jardins da Bienalle seriam para mim um indício de desesperança. Por que arquitetura? Por que aquilo tudo? E eis que chego a ponta, a Punta della Dogana. Tadao Ando. 2007-2009. Um susto. O sublime. A mais precisa intervenção em um edifício histórico que já visitara até então; uma das mais encantadoras arquiteturas que já estive. É bom voltar a se apaixonar pela arquitetura. Talvez ainda haja algum sentido nela. Retomo hoje o projeto após pausa de final de ano! Postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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28. Estávamos diante de uma das maiores realizações da arquitetura moderna. Narkonfim, Moscou, 1928. Uma fachada marcada pela ação da chuva, da neve, do tempo. Nosso mundo não seria o mesmo se não fosse aquele edifício agora convertido em ruínas. Narkonfim materializou para a arquitetura alguns dos ideais da revolução de Outubro: a vida comunal; o condensador social urbano; a unidade de vizinhança; a redivisão das tarefas domésticas; a transformação do modo de vida burguês. Com a valorização dos equipamentos coletivos do edifício (como refeitório, lavanderia, biblioteca, creche, terraço jardim), o projeto de Moisei Ginzburg e Ignaty Milinis confere uma forma aos latentes debates arquitetônicos e urbanos da época. 2016-1917. Quase cem anos depois, encontramos, no interior do edifício, hipsters, sem-teto e empresas. Uma profusão de funções e ocupações; para cada espaço uma condição diferente de conservação - do "caindo aos pedaços” ao “novinho em folha”. Um amigo dela havia recém se mudado para o edifício. A pequena unidade transbordava luz solar vinda das janelas no pé-direito duplo. Eles comentaram sobre rumores da compra de todo o edifício por um grupo hoteleiro. Um restauro na Rússia contemporânea? Imaginei lustres e maçanetas douradas. at Narkomfin

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27. Eu havia acabado de entrar no Studio MK27 quando as obras da Casa Paraty se iniciaram. Visitei algumas vezes a construção e depois acompanhei uma das sessões de documentação da casa pronta. Desde minha infância visitava obras. Minhas memórias de crianças são memórias arquitetônicas, espaciais. Os interiores brancos, minimalistas, do apartamento onde nasci; o castelinho de tijolo do jardim do prédio projetado por meu pai; o escritório com seu concreto escorrido na fachada. Escrevi um texto recentemente para a Monolito 41/42 sobre o MK27 (onde trabalhei até 2015) e sobre essas memórias. Sobre a pré-história do escritório; sobre minhas experiências nesses espaços particularmente estranhos para uma criança. Foi um dos textos que mais me diverti escrevendo. “Recordo-me dos projetos como flashes, sensações, vestígios perdidos da infância, como fotografias pouco nítidas. Elas não conseguem constituir um conjunto ou um percurso do todo e nem tenho certeza se eles existiram de fato. Esses lugares da minha infância são espaços de brincadeira, diversão e aprendizado. Uma mesma relação afetiva que viria a estabelecer também depois com as obras mais recentes.”

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26. Em seus projetos tardios nos EUA e, especificamente, em Berlin, Mies destaca os edifícios da rua, elevando a forma em um pedestal, um podium. O solene ritual de entrada se inicia na escada externa de pedra e chega então à árida praça, um platô isolado da cidade. “Atenção, estamos em um espaço de exceção”. Reflexos nos vidros revelam arquiteturas do entorno e denunciam a existência do outro, a existência da banalidade. Nossa lenta cerimônia de entrada ainda mal se iniciou. A marquise nos cobre; uma estrutura rigorosa, um gride esquemático materializado em aço. Penetramos na pele de vidro. O andar superior funciona como hall, como entrada (mesmo que por vezes insistem em o usar como área expositiva). Transparente, esse espaço se contrapõe a caverna a seguir. Se tivemos que subir uma escada para chegar na praça, agora teremos que descer. Estamos prontos para visitar a Neues Nationalgalerie. Ou então, como alternativa, podemos simplesmente entrar direto pelas portas dos fundos. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years at Neue Nationalgalerie

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25. Fico pensando quantos edifícios de Niemeyer poderiam ter entre esses 100? Uns 100? Pouca atenção foi dada nos últimos anos para sua fase de exílio, de auto exílio. Centro Cultural de Le Havre, Partido Comunista em Paris, Mondadori em Milão. Se as obras de Oscar frequentemente derrapam nos detalhes, aqui pode-se ver um niemeyer pleno, impecavelmente desenhado e construído em todas as escalas; uma obra projetada da implantação ao detalhe. A estrutura metálica dos volumes programáticos internos, atirantados em um exoesqueleto de concreto, encontra ancoragem e estabilidade em dois volumes de circulação vertical. Por fora, as arcadas do Itamaraty ganham ritmo musical. Os vãos irregulares denunciam uma permissão para a irracionalidade estrutural (que aliás seria a tônica de Niemeyer após meados dos anos 80; aqui ainda estamos nos 70). Fotos da maquete em uma primeira versão do projeto mostram a Mondadori com curvaturas também em planta no volume principal, como uma cobra rastejando. Acredito que cliente, engenheiros e arquitetos abandonaram essa ideia pela complexidade construtiva: imaginem vocês a dificuldade de executar o plano curvado da convergência do arco interno com as arestas ortogonais da fachada e com uma terceira curvatura resultado da sinuosidade em planta. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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24. Como em uma passagem bíblica, caminha-se sobre a água nesse sinuoso traçado da ponte desenhada por John Pawson, para uma lagoa artificial em Kew Garden, subúrbio de Londres. A construção em aço, granito e bronze passa rente a lâmina d’água, duplicando e deformando a obra de arte na superfície crespa da lagoa. Há duas pontes. Uma espectral da outra. O desenho minimalista não se traduz em um percurso funcional, uma conexão direta entre dois pontos e sim em um passeio livre, despropositado, em relação com a história dos jardins ingleses no parque. Dois detalhes soam especialmente excepcionais para projetos com características urbanas (como uma ponte de pedestre): a repetição seriada de 990 pilaretes metálicos (luxuosas peças de bronze) espaçados em 10cm para compor o guarda corpo; e uma delicada iluminação artificial, também sequencial, posicionada no pé desses elementos construtivos, balizando a materialidade da forma por meio de uma luz refletida. Antes do sinuoso percurso de trêm/metrô de volta para o centro, há tempo para visitar, no mesmo Kew Garden, a Palm House desenhada por Richard Turner em 1844, inteiramente de vidro; uma dessas realizações do Século 19 que criaram as bases fundamentais para a arquitetura moderna. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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23. Nada é original. Tudo é original. No centro do pátio de uma antiga distilaria na periferia de Milão, Koolhaas inseriu um novo edifício, seccionando a área livre em dois pátios. Nada é original: uma das fachada dessa construção tem revestimento espelhado, high tech; um paralelepípedo puro repousando sobre o jardim industrial metafísico, dechiriquiano. A emulação da arquitetura se dá pelo reflexo, pela desmaterialização de um edifício que nega sua existência mimitizando os prédios mais antigos; estratégia esta que se aproxima da estética da arquitetura do século 21 e suas torres genéricas (nesse caso, uma "torre horizontal", para usar um termo cunhado pelo próprio holandês). Essa fachada parece um corte, como se um antigo edifício tivesse sido fatiado e seu recheio fosse puro espelho, massa reflexivel. Tudo é original: no outro lado, o mesmo edifício tem uma fachada com falsos frisos e pilares que emulam matericamente as construções já existentes no conjunto. A nova construção tem todas as características daquela arquitetura fabril dos 1900, com exceção de um rasgo do mesmo espelho que explicita a falsificação. Esta estratégia por sua vez dialoga - com divertida literalidade - com a arquitetura pós-moderna historicista italiana. Koolhaas inventou duas formas diferentes de confundir os visitantes (e inclusive arquitetos) sobre a presença, originalidade e idade daquele edifício. Em essência afirma: tanto faz - para a arquitetura (e por extensão para o patrimônio historico) ou mesmo para os usuários - se esse edifício é novo ou não; que se danem as cartas de Atenas e de Veneza; o que importa é o projeto, os novos usos conferidos ao conjunto, o senso do todo, a nova materialidade e espacialidade, a nova atmosfera, o detalhamento dos edifícios e a paleta de materiais; o quê importa mesmo é a nova escala dos pátios. Sobretudo entre os que sofrem da Síndrome de Stendahl, há quem chore ao visitá-los pela primeira vez. Pessoalmente, acho essa reação um pouco exagerada. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years at Fondazione Prada

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22. Casa Butantã: criamos espaços e somos moldados por eles; como uma relação dialética, como um processo infinito, como uma pergunta sem resposta, como um espinho no meio da palma da mão. Minhas arquiteturas favoritas nunca são neutras e sim indicam usos cotidianos que nos tiram das zonas de conforto; nos incomodam profundamente. Um edifício impecavelmente confortável, perfeitamente construído e totalmente funcional não existe. Se existisse seria uma péssima arquitetura, tediosa, insossa, burocrática; assim como são as aquelas pessoas sem charme, sem sal e sem posições. A Casa Butantã de Paulo Mendes da Rocha (1964) impõe desafios constantes para aqueles que a usam. As paredes não tocam o teto e assim não há separação entre os quartos, banheiros, sala, cozinha. Vazam odores e ruídos. Falta privacidade e isolamento. As divisórias parecem meras formalidades e todos os espaços se configuram, na prática, como um único. A vida comunal. O sexo passa a ser compartilhado dentro do núcleo doméstico. Como uma crítica aos valores pudícos burgueses, curiosamente, Paulo parece regredir a uma espécie de estágio pré-burguês, pré-moderno, quando todos habitavam o mesmo espaço e inclusive comiam de um mesmo prato. Não seria a noção da casa como um ninho confortável, amável, uma invariável ilusão? Sempre pergunto em aula para os meus alunos se eles morariam nessa casa. Bem... A pergunta parece levar a outra: com quem? Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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21. No final dos anos 50, o arquiteto japonês Kenzo Tange começou a ser atacado por setores progressistas da crítica por fazer uma arquitetura demasiadamente chique e sofisticada, distante dos anseios populares. Essa arquitetura miesiana de Tange foi associada ao estilo Yayoi dos anos 300AC a 300DC, quando as cerâmicas apresentavam um refinamento aristocrático. O Yayoi seria contraposto ao estilo Jomon, anterior, iniciado em 10.000AC, com sua expressividade visseral, ligado à estética do povo. Inicialmente, Tange retrucou a crítica, mas, logo transmutou as formas delicadas yayoianas de sua arquitetura em uma agressividade jomoniana. As obras concebidas nos dois primeiros anos da década de 60 contém os dois estilos paradoxais, as duas arquiteturas. É o caso do ginásio de Tokyo e dessa catedral, a Saint Mary (1961-64). Se por dentro, o uso do "beton brut" moldado in situ resulta em uma expressividade incomum ao Japão do período; por fora, Tange reveste a construção em elementos metálicos, suavizando sua fachada e inclusive mesclando-a ao céu. É um momento de transição e de síntese na arquitetura contemporânea desse estilos ancestrais, Jomon e Yayoi. Estariam aí as bases do movimento metabolista e, diria mais, de toda arquitetura japonesa conseguinte. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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20. Pavilhão Português. Álvaro Siza. 1998. Frágil equilíbrio entre peso e leveza. A necessidade da massa como contrapeso para uma finíssima folha de concreto. Alguns já disseram que construir a beleza pela leveza é fácil. E pela leveza e pelo peso? Os dois juntos, como dependência, como inseparabilidade. O engenheiro diria: precisamos dos robustos volumes nas pontas para conter os esforços laterais provocados pela frágil cobertura. Ela quer cair, mas não consegue. Não pode. O edifício permanece como escultura, como monumento, como um barco com sua enorme vela atracado e vazio. Alguns encontram usos banais, singelos frente ao grande vão. Crianças têm sua sombra para andar de bicicleta, famílias se divertem, turistas sacam suas câmeras. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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19. Arquitetura é contar histórias. A narrativa se desenvolve como projeto e os percursos primeiro como cenas imaginadas, depois como caminhos no espaço. Em diálogo, compreender o passado e resignificá-lo. Essas dimensões da relação história-arquitetura se revelam no Museu do Castelvecchio. Scarpa se coloca como agente de seu tempo e redesenha alas inteiras do maior monumento histórico do Veneto. Quantas histórias pregressas se desenrolaram por entre aquelas espessas paredes do século XIV? Quantas invasões napoleônicas? Quantos intrigas palaceanas naqueles jardins e torres? Quantas histórias ainda viriam a se desenrolar? Um castelo transformado em museu. Um museu transformado em castelo. A arte organiza um novo percurso a partir da essência das obras. Formulando novas relações para o espaço, a arquitetura insere novas camadas de história. Ele nos pegou na estação. Alguns prédios são belos de serem visitados, esses se tornam ainda melhores se explicados, contados, explicitados. Tivemos uma aula no museu, sobre Scarpa, sobre Castelvecchio, sobre arquitetura, sobre história e suas dimensões. Tornamo-nos amigos. Quis que meus outros amigos estivessem por lá, nessa aula. Achei que poderia retribuir com uma visita ao Sesc Pompeia. De 2015 a 2018. Visitamos o Sesc Pompéia. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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18. Uma única construção como síntese do conhecimento humano. Um espaço genérico e abstrato à espera dos saberes. Uma espécie de torre de Babel horizontal: em vez de um arranha céu babilônio, a sequência repetitiva e moderna de pórticos de concreto em linha contínua por 700 metros; linha levemente arqueada. A estrutura se mostra como ruína da cidade construída às pressas, da teoria concisa e sempre inacabada, do estado de precariedade de nossa existência. Os corredores-varandas do galpão linear do ICC da UNB sintetizam tanto universidade como unidade quanto o lugar de encontro. O projeto de Niemeyer e Lelé logo ganhou o apelido de minhocão; mas talvez seja o buraco da minhoca, um túnel pelo conhecimento que nos leva para outro tempo-espaço. Esse talvez seja meu lugar favorito em Brasília (mais até do que o Itamaraty) porque contém justamente o paradoxo da própria cidade, por um lado a finitude (a universidade-prédio, as solenes pedras polidas das fachadas, o desenho preciso da cidade-projeto, o senso de eternidade dos palácios iluminados) por outro a transitoriedade (os ferros expostos do pórtico inacabado, o Núcleo Bandeirantes e os assentamentos, o canteiro de obras a ser desmotado, o cachorro quente na esquina inexistente). Não seria essa também a melhor descrição da ciência? Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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17. Para cada viga, uma tensão, uma transmissão de força. A própria gravidade materializada. Arquitetura e engenharia, essas invenções humanas para vencer a força da gravidade. A construção de um abrigo capaz de superar, em escala o vestuário. Primeiro vem a casa mais aprazível que a caverna, depois a ponte, o templo e o edifício público. Olhar para uma estrutura de Nervi é visualizar essas forças da natureza em tensão ao longo dos anos, observá-las a olhos nus, seja na forma de hangares, seja na forma de ginásios esportivos: Palazzetto dello Sport, Roma, 1957. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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16. Robin Hood... Robin Hood Gardens, na periferia de Londres, em uma área de intensa especulação imobiliária, está em processo de demolição, para satisfação dos empreendedores e desespero daqueles que tinham na obra máxima do brutalismo inglês uma casa digna. Habitarão um lugar ainda mais distante, com unidades menores e sem a qualidade de desenho proporcionada pelo projeto do casal Smithson. Robin Hood. Não teria a arquitetura moderna surgido para suprir a habitação das massas, desabrigadas após as sucessivas destruições das cidades europeias no século 20? Não seriam os desabrigados hoje as populações de imigrantes e refugiados das áreas mais pobres dessas mesmas cidades do velho continente? Então não seriam esses edifícios "degradados" (esse eufemismo dissimulado) a arquitetura moderna que deu certo e não a que deu errado? A arquitetura moderna está longe de ser um Robin Hood, mas pensando bem... Se ela tivesse dado muito certo, muito certo mesmo, ela poderia ter sido. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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15. Pelo menos chegaríamos mais rapidamente a Ronchamp - essa aventura corbusiana ao expressionismo (deixando o cubismo para trás, como uma espécie de percurso inverso na história da arte). Mas para nós, visitar Ronchamp, inevitavelmente nos faz pensar em Oscar, que, orgulhoso, citava as memórias de Ozanfant: Corbusier havia descoberto no novo mundo as plasticidades do concreto armado. Ronchamp deixaria dúvidas? Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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14. No meio dos jardins da ilha de San Giorgio Maggiore, uma intervenção delicada e poderosa: o mínimo para organizar o espaço. Não há praticamente construção, há arquitetura. E a pouca matéria se dissolve entre reflexos. A estrutura em balanço, balança com o vento; refletindo as folhas das árvores também balançadas pela brisa da laguna. Cada coisa vibra em seu tempo. O espaço se revela nesses descompaços, nesses tempos sincopados do movimento das coisas e pessoas. Preciso partir, a passagem do vaporeto vai expirar. Nada é trivial em Veneza (essa realização máxima da existência humana). Uma capela da Carla para redimir a viagem, para redimir o evento, para redimir a arquitetura, para nos redimir. O tempo fora do jardim é outro. Por agora, preferia ficar mais. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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13. Ele queria ir comigo visitar o monumento. Considerava um momento importante da sua vida ver um quarteirão inteiro no centro de Berlim tomado por aquelas lápides de concreto em memória dos mortos. Seria uma espécie de síntese da sua vida. O projeto atrasou. Ela ficou doente e ele não podia mais pegar um avião. Chamei-o algumas vezes, mas ele dizia que não podia deixa-la, mesmo por alguns dias. Ele morreu alguns anos mais tarde, sem nunca ter visitado o memorial de Eisenman. Fui algumas vezes e bati fotos para mostrar a ele. Uma dessas vezes, estava sozinho e cheguei de trem a Berlim. De alguma forma, talvez ele tenha vindo. Ou talvez ele já estivesse um pouquinho por lá. Ao longo de 100 dias, postarei aqui no Instragram fotos de 100 edifícios dos últimos 100 anos. Bati essas fotos ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, com câmeras e celulares, e padronizarei todas em Preto e Branco. A ordem das publicações será randômica, sem organização de tempo/espaço. #100edificiosdosultimos100anos #100buildingsfromthelast100years

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